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Tá todo mundo cronicamente online?

Jun 18
3 min read


Ser cronicamente online virou quase um pré-requisito para quem trabalha com social. Passamos o dia consumindo tendências, formatos, memes e pegando referências. E quando o expediente acaba, continuamos ali: no mesmo feed, nas mesmas plataformas. O que antes era descanso, agora também é repertório. 


A internet deixou de ser só entretenimento. Hoje, ela também é briefing, pesquisa, networking e até validação criativa. E é aí que tudo começa a se misturar.




Em que momento a gente sai do CNPJ e volta pro CPF?





Não entendam mal. Não estamos levantando a bandeira do movimento anti-internet ✋Essa nem é a intenção. Na verdade, esse espaço se tornou um e-mail seguro pra gente observar e refletir sobre a grande transformação cultural que estamos vivendo: estar online 24/7.


A dificuldade de se desligar das redes sociais não impacta só o nosso cansaço mental. Ela também começa a moldar a forma como o próprio mercado entende o conceito de “competência”.


O expediente não acaba?


Já faz um tempo que acompanhar as tendências deixou de ser o diferencial da nossa área. Hoje, já faz parte da expectativa. Saber qual trend saturou, entender um meme antes dele morrer, reconhecer formatos, acompanhar creators (e fofocas), plataformas e mudanças de comportamento… Tudo isso virou skill de trabalho.


E diferente de outras profissões, nosso repertório profissional continua acontecendo no mesmo lugar onde dividimos experiências, conversamos com amigos e tentamos desligar a cabeça no fim do dia.





Tudo vira referência


Mandamos um vídeo no grupo do trabalho tarde da noite, ouvimos um diálogo e pensamos “nossa, isso daria uma publi”, compartilhamos posts, acompanhamos perfis de creators, nos apropriamos de um linguajar que viraliza, tipo “diva”, “T O T A L”, “saboRRRR”, salvamos trends e mais trends; e que às vezes nem vamos usar. E sim, tudo isso faz parte do trabalho. Mas, em algum momento, esse consumo deixa de ser consciente e passa a acontecer no automático. 



A impressão que fica, é que a lógica mudou: a gente começa a consumir o mundo já pensando em como ele performaria nas nossas redes.



Assistimos uma série pensando em como divulgar para os amigos próximos, vamos em restaurantes e julgamos se é “instagramável” suficiente, nossa viagem vira a oportunidade perfeita de fazer conteúdo, etc. 


Parece que viver online também muda a forma como a gente vive no offline.





O mundo passou a performar também


Talvez a grande mudança não seja só o fato de estarmos online o tempo inteiro. É que o trabalho criativo mudou a nossa forma de consumir o mundo.


A gente não olha mais só como público final. Olha pensando em formato, timing, estética e potencial de engajamento. E isso começa a atravessar os lugares que frequentamos, as conversas que temos, os hobbies que escolhemos e até a forma como registramos esses momentos.


E isso não é necessariamente bom ou ruim, tá? Mas explica por que é tão difícil separar o momento de criar do momento de simplesmente existir.





No final das contas, acreditamos que consumimos algo inédito e exclusivo do nosso algoritmo, mas estamos no mesmo looping de referências que a nossa bolha. A provocação do bem desta edição vem agora, e em forma de convite: o melhor repertório sempre estará fora das redes sociais, no outro lado da tela. 


Está nas experiências sociais, na conversa de fim de tarde com nossa família, nos lugares que você sempre sonhou em conhecer, nos filmes que estão salvos há meses na sua lista de “assistir quando tiver tempo”, nos personagens favoritos dos livros da sua estante e nessa infinita observação do que é o mundo e o que ele tem para nos oferecer.



O olhar Lemango


A gente também vive essa contradição. Talvez por isso essa conversa faça tanto sentido aqui 🤪 Trabalhar com internet não é só produzir conteúdo. É aprender e se adaptar, dia pós dia, a cada nova atualização e ferramenta que surgir. 


E aí, tudo isso faz sentido pra você? Compartilha sua opinião (e sua dica de como aumentar seu repertório criativo) com a gente no Instagram. Até a próxima!






 
 
 

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