Quem está contando as histórias hoje?

Toda grande história sempre teve alguém pra contá-la. Durante muito tempo, eram poucos os responsáveis por fazer essa mediação: um jornal, uma emissora, um comentarista. Não porque outras pessoas não tivessem opinião, mas porque poucas tinham alcance.
Hoje, essa lógica virou do avesso. Antes mesmo de um acontecimento terminar e virar notícia, centenas de interpretações já circulam pelas redes sociais. O assunto continua sendo o mesmo; o que muda é quem e como contam.
Qual é a voz oficial?

Durante muito tempo, autoridade era quase um cargo. Ela vinha de um diploma, de um espaço conquistado na televisão, no rádio ou no impresso. Se antigamente a gente queria saber de futebol, nós líamos um jornal, esperávamos o programa esportivo da TV ou aguardávamos a análise de um comentarista.
Hoje, os caminhos são inúmeros: podemos ouvir um jornalista no perfil dele, um ex-jogador, um streamer, um torcedor fanático, um perfil de humor ou mesmo alugar nosso tempo para assistir a um react de alguém que acabou de assistir à mesma partida que vimos há pouco. E isso não é só sobre futebol.
Quem constrói autoridade
A confiança passou a ser construída de outras formas: pela frequência, pela linguagem, pelo repertório compartilhado e, principalmente, pela relação criada com uma comunidade.
É por isso que um creator pode explicar um assunto complexo para milhões de pessoas, enquanto um especialista reconhecido fala pra centenas. É claro que conhecimento continua sendo importante. Mas, na internet, ele costuma caminhar
junto com linguagem, recorrência e identificação. É quem consegue estabelecer
uma conexão com quem está do outro lado da tela.

O algoritmo (sempre) importa
É maravilhoso pensar que a internet democratizou quem pode produzir, publicar e distribuir conhecimento. Hoje, basta você ter um nicho bem definido e… audiência.
E nisso, o algoritmo sabe como te ajudar.
Afinal de contas, são as plataformas que acabam escolhendo quais conteúdos aparecem primeiro, quais opiniões ganham alcance e quais criadores entram na timeline das pessoas.
“Quando a gente fala que hoje todo mundo pode falar, não é só sobre quantidade de vozes, mas sobre quem passou a ocupar esse espaço. Antes, esse lugar era muito concentrado em homens, pessoas brancas e de grandes centros. Hoje, a internet mostrou que a gente sentia falta de ouvir outras realidades, outros sotaques, outras opiniões, vivências. Um jovem da periferia, uma pessoa LGBT, um nordestino... Pessoas que antes dificilmente tinham espaço hoje conseguem construir comunidades porque existe identificação. Acho que esse movimento ficou tão forte que acabou influenciando estruturas mais tradicionais, como a TV e os jornais. Não porque elas decidiram simplesmente abrir espaço, mas porque entenderam que, se continuassem mostrando sempre as mesmas pessoas e as mesmas perspectivas, deixariam de conversar com quem está do outro lado.”
– Julia Forti, Head de Conteúdo na Lemango
A internet mudou quem
participa da conversa
Existe creator de tudo. Economia, moda, política, literatura, café, corrida, lugares para visitar e, se desse, poderíamos ficar dias e dias aqui listando todas as possibilidades.
O curioso é que essas pessoas não tentam falar com todo mundo.
Elas falam muito bem com alguém. E é justamente isso que transforma seguidores em comunidade, e comunidade em confiança.

Os especialistas ainda existem
Os especialistas nunca deixaram de existir. O que mudou foi que eles passaram a dividir espaço com outras vozes. E é por isso que um jornalista divide espaço com um streamer, um chef divide espaço com um creator gastronômico, um crítico de cinema divide espaço com alguém no Letterboxd e um comentarista esportivo divide espaço com a CazéTV.
Se antes a mensagem vinha apenas de instituições, hoje uma comunidade inteira pode se pronunciar. E isso, sim, é o significado de democratização.

Afinal, quem conta as histórias?
A resposta mais sincera é: depende de quem você escolhe ouvir. E essa escolha é praticamente infinita.
A internet mudou a lógica em que todo mundo escuta a mesma voz. Hoje, é um conjunto de pequenas comunidades, cada uma com suas referências, criadores e formas de interpretar o mundo. E é por isso que duas pessoas podem acompanhar exatamente o mesmo assunto e sair com opiniões completamente contrárias.
Tem gente falando disso, olha!

O olhar Lemango
A gente acompanha tendências todos os dias, vocês sabem. Mas talvez o nosso trabalho tenha menos a ver com descobrir "o próximo assunto" e mais com entender como as conversas nascem, crescem, encontram suas verdadeiras comunidades e como uma marca pode participar dessas conversas sem parecer um intruso.
E aí, tudo isso faz sentido pra você? Compartilha sua opinião com a gente no Instagram. Até a próxima!





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