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A cultura do wellness e a nova busca por performance

27 de mar. de 2026Duda Goldstein

Imagem de abertura do post, A cultura do wellness e a nova busca por performance

O wellness está no hype. Nossa atenção está voltada ao “mundo fitness”, que cada vez mais dita comportamentos, rotinas e até formas de consumo. Há alguns anos, quem se sentia diferente e fora da caixa era a pessoa que tinha uma vida mais regrada, que praticava esportes e fazia disso um estilo de vida. Hoje, a lógica parece ter se invertido: quem não está inserido nesse meio, sente que é “o diferente”.

  • Cerca de 50% dos brasileiros praticam atividade física regularmente, segundo dados de 2025 do Datafolha e IBGE.
  • Em 2024, o sedentarismo caiu para 47% da população, ou seja, mais da metade já pratica algum tipo de exercício.
  • O mercado fitness movimentou cerca de R$ 12 bilhões em 2024.

Fonte: FecomercioSP

Mudança no formato de socialização

Os jovens de hoje estão substituindo os hábitos das gerações anteriores, como consumo de álcool, drogas e privação de sono, e estão investindo em gastar energia no exercício, que embora seja positivo, em alguns casos acaba se tornando um novo vício.

Já existem festas que começam com corridas coletivas e terminam com DJs. Além disso, cafeterias estão se tornando pontos de encontro que organizam e sediam grupos de corridas. Até as relações estão sendo pautadas por esse estilo de vida. Dates de aplicativos, rolês entre amigos e até momentos de networking de empresas estão acontecendo em ambientes de esporte.

A lógica da saúde mudou?

O recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é se exercitar 30 minutos por dia, de forma moderada. Antes, as pessoas ouviam essa recomendação com frequência dos médicos, e nem sempre seguiam. Hoje, sentem a pressão da internet de se exercitarem todos os dias, e às vezes, mais de uma vez ao dia.

Wellness deixou de ser sobre saúde. Agora, é sobre performance. Ser saudável em 2026 é diferente do que era há 3 anos atrás, por exemplo. Se exercitar três vezes por semana, se alimentar bem e considerar uma caminhada para o trabalho, um passeio com o cachorro, já não é suficiente.

A cultura (tóxica) do wellness

Não basta caminhar, tem que correr. Não basta correr, tem que correr rápido. E com o melhor tênis. Não basta malhar, tem que aguentar o maior peso. E com os melhores looks. Saímos da era dos treinos milagrosos e entramos na era dos treinos metabólicos, treinos híbridos. Ter a presença do instrutor da academia, agora, é pouco. É preciso investir: personal para musculação, assessoria de corrida, melhores academias, roupas e acessórios.

A falta de equilíbrio

Você com certeza já ouviu algum familiar dizer “tudo em excesso faz mal”. E eles estão certos. Porque o problema é quando essa busca por uma vida fitness passa do limite.

Parte desse movimento também acontece dentro dos próprios aplicativos de atividade física, que permitem criar desafios e acompanhar o desempenho de amigos. Em muitos casos, esse tipo de dinâmica funciona como um incentivo. Aqui mesmo na Lemango, por exemplo, já vimos colegas de trabalho retomarem a prática de exercícios justamente por conta do estímulo coletivo que o nosso grupo causou.

Ver os amigos se movimentando todos os dias, compartilhar metas, dividir experiências na hora do almoço e celebrar pequenas conquistas pode ser um grande empurrão para quem está tentando construir uma rotina mais ativa. Mas sempre existe o outro lado da moeda, né? Quando a comparação passa a ser constante, essa dinâmica pode acabar gerando pressão e ansiedade.

A cobrança dos creators

Essa cobrança vem de todos os lados. Ou melhor, de todos os feeds. Com o crescimento da creator economy e a pouca legislação do mercado, o mundo virou um grande nicho de conteúdo e as pessoas ganham (muito) dinheiro com esse tipo de rotina.

Pessoas que se encontram no esporte e produzem conteúdos têm a oportunidade de saírem dos empregos “tradicionais” e acabam trazendo uma nova versão do que a gente entende como estilo de vida. Elas se exercitam mais, são patrocinadas por marcas do mundo fitness e geram essa sensação, aqui do outro lado, de nunca estarmos fazendo o suficiente.

De novo ele… O FOMO

Quando paramos para pensar num contexto onde as pessoas trabalham no

formato presencial, em escala 6x1 e pegam transporte público, entendemos que nem todo mundo tem o mesmo privilégio e as mesmas 24 horas para dar check

na lista de to-do.

Então, qual a saída? De forma bem rápida: buscar sua melhor versão com uma rotina de exercícios que cabe na sua realidade. E a Lemango te convida a revisitar sua lista de criadores de conteúdo e ativar o senso crítico para avaliar se acompanhar todos eles ainda faz sentido para você.

Responsabilidade também é saúde

Se a cultura do wellness hoje é amplificada pelos criadores de conteúdo, ela também pode (e deve) ser balanceada por eles. Se antes o sedentarismo era o problema, hoje o desafio pode ser encontrar equilíbrio dentro de uma cultura de performance.

Na Lemango, acreditamos que produzir conteúdo também é assumir um papel cultural: provocar reflexão, ampliar repertórios e lembrar que, além das tendências não precisarem virar regra, elas vêm e vão.